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Desde o início de 2024, o Cerrado brasileiro já registrou 10.647 focos de queimadas, revela levantamento do WWF-Brasil com base em dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Este número representa um aumento significativo de 31% em comparação ao mesmo período do ano anterior, quando foram contabilizados 8.157 focos até o dia 17 de junho.

A região do Matopiba, composta pelos estados de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, concentrou 52,3% desses incêndios, marcando um aumento preocupante nas estatísticas de queimadas no bioma. Individualmente, Tocantins lidera com um aumento de 48%, totalizando 2.707 focos desde o início do ano. Os demais estados do Matopiba também apresentaram crescimentos alarmantes em relação aos anos anteriores: Maranhão com aumento de 47% (1.615 focos), Piauí com 43% (483 focos) e Bahia com 16% (771 focos).

Bianca Nakamato, especialista do WWF-Brasil, destacou que as queimadas na região estão intimamente ligadas ao desmatamento para expansão agrícola, onde o fogo é utilizado como método de limpeza antes do cultivo, especialmente para pastagens e soja. Ane Alencar, do IPAM, alertou para os riscos do uso descontrolado do fogo em condições de seca, enfatizando que o manejo adequado é crucial para evitar danos irreversíveis aos ecossistemas.

Os impactos das queimadas vão além das áreas diretamente afetadas, afirma Daniel Silva, do WWF-Brasil, mencionando prejuízos aos povos tradicionais, agricultores e aos centros urbanos que dependem dos serviços ecossistêmicos, como a regularidade das chuvas.

Em um dado alarmante, o Cerrado registrou em 2023 uma área desmatada superior à da Amazônia, contribuindo significativamente para as emissões de gases de efeito estufa. Hoje, as atividades humanas no bioma são responsáveis por emitir entre 400 milhões e 500 milhões de toneladas de CO2 anualmente, um valor similar ao de três décadas atrás, porém com uma mudança significativa: agora, a produção agrícola é responsável por uma parcela maior dessas emissões do que o próprio desmatamento.

Nakamato alerta que essa dinâmica não só intensifica o aquecimento global, mas também causa danos severos à biodiversidade, ao solo e aos recursos hídricos, afetando inclusive o ciclo de chuvas que é crucial não apenas para o Cerrado, mas para todo o Brasil.

Para enfrentar esses desafios, Nakamato propõe um sistema mais eficaz de proteção e rastreabilidade nas áreas do Matopiba, enfatizando a necessidade de aprimorar os controles de origem dos produtos provenientes de áreas desmatadas. Essas medidas são fundamentais não apenas para atender às demandas dos mercados internos e externos, mas também para coibir violações ambientais e de direitos humanos.

Fonte: Adaptado de Um Só Planeta

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