Realocação de imigrantes
Realocação de imigrantes

A imigração ilegal é um assunto que se tornou predominante nos debates dentro dos Estados Unidos. Isso porque governadores de estados do sul, como Texas, Flórida e Arizona, que são majoritariamente do Partido Republicanos, estão enviando imigrantes para regiões que, historicamente, apoiam o Partido Democrata.

Na última semana, cerca de 50 imigrantes foram levados de avião do Texas para a ilha de Martha’s Vineyard, conhecido ponto de férias de milionários que fica localizado no estado de Massachusetts. O movimento foi autorizado pelo governo da Flórida. Por defenderem políticas mais brandas em relação a estrangeiros que vivem ilegalmente no país, os locais são chamados de “cidades santuários”.

De acordo com Daniel Toledo, advogado que atua na área do Direito Internacional, fundador da Toledo e Associados e sócio do LeeToledo PLLC, escritório de advocacia internacional com unidades no Brasil e nos Estados Unidos, a falta de políticas migratórias do governo Joe Biden está gerando uma crise humanitária nas fronteiras do país. “Apenas no ano fiscal de 2022, os agentes de fronteira já atingiram um recorde de mais de 2 milhões de prisões de imigrantes que tentaram entrar ilegalmente no território americano. Um relatório recente do DHS – Departamento de Segurança Interna, mostrou que a pressão na fronteira tem sido gerada pelo aumento de imigrantes que tentam deixar países como Nicarágua e Venezuela”, relata.

Por outro lado, o número de imigrantes presos vindos do México e de outros países da América Central caiu e, atualmente, somam 36% dos detidos. Uma redução de 43% se comparado com agosto de 2021. “Muitos imigrantes sem documentos que chegam à fronteira do sul são deportados diretamente dos EUA. Isso acontece com base em uma medida sanitária adotada durante a pandemia, na gestão Donald Trump. O governo Biden tentou revogar a medida, mas a justiça determinou que permanecesse em vigor”, pontua o advogado.

Para Toledo, o embaraço imigratório pode ajudar os políticos do Partido Republicano nas eleições que acontecem ainda este ano. “Quando os números da imigração aumentam e o problema se torna mais visível, a tendência é de que os republicanos ganhem uma certa vantagem em seus argumentos, fazendo com que seus apoiadores trabalhem de forma mais ativa para atrair votos daqueles que são contra esse tipo de situação”, destaca.

Não existe uma solução imediata para o problema e o país norte americano precisa se alinhar aos países da américa latina para resolver a crise migratória. “É preciso desenvolver esses países para que as pessoas tenham economias mais forte e escolham por permanecer em seu local de origem. O México, por exemplo, tem problemas como o tráfico de drogas, altos índices de violência e problemas relacionados ao fornecimento de energia. Se não houver uma política que faça o possível para que esse cenário se extinga, as coisas continuarão como estão por muitos anos”, finaliza o especialista em Direito Internacional.