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Paisagista, desenhista, escultor, pintor, designer e até cantor. O paulistano, Roberto Burle Marx, um dos artistas brasileiros mais famosos pelo mundo afora, era tudo isso e mais um pouco. Ele foi o responsável por introduzir o paisagismo modernista no Brasil, projetando vários lugares que, hoje, estão entre nossos cartões-postais.

Quem vai a São Paulo e se hospeda em um hotel perto do Parque do Ibirapuera, por exemplo, não pode deixar de visitar o parque, um dos maiores e mais bonitos do país, e um dos projetos que marcaram a carreira do artista, que faleceu no Rio de Janeiro, em 1994.

As plantas nativas brasileiras são destaque em quase todos os projetos de Roberto Burle Marx, que também costumam ser incrementados com obras de arte. Muitos críticos dizem que os espaços projetados por ele, por si só, lembram telas abstratas, inspiradas no concretismo e no construtivismo.

Mas, antes de falar um pouco mais sobre os seus principais projetos, vamos fazer um breve apanhado de sua vida, pois os fatos de qualquer artista são importantes para entender o que os inspira. 

Biografia

Roberto Burle Marx nasceu na capital paulista em 1909 e foi o quarto filho de sua família. Sua mãe, Cecília Burle, era pianista, cantora e cultivava um jardim. Dizem que ela foi uma das responsáveis por despertar nele o amor pelas artes e pelas plantas, que foram marcantes em praticamente todos os seus projetos.

Em 1913, a família se mudou para o Rio de Janeiro e foi no casarão onde passaram a viver, que Roberto começou, aos 8 anos, sua própria coleção de plantas. Aos 19, eles foram para a Alemanha, onde Roberto teve contato intenso com as artes e se apaixonou pelo Jardim Botânico de Berlim, que tinha espécies nativas brasileiras.

De volta ao Rio de Janeiro, em 1930, Roberto ingressou na Escola Nacional de Belas Artes, onde chegou a dividir sala com Cândido Portinari e conviveu com grandes nomes da arquitetura nacional, como Hélio Uchôa e Oscar Niemeyer.

O primeiro projeto de Roberto Burle Marx foi um Recife: em 1934, ele projetou a Praça de Casa Forte, utilizando várias espécies de plantas nativas da Amazônia e Mata Atlântica. Fez tanto sucesso que ele foi convidado para a chefia do setor de Parques e Jardins, do Departamento de Arquitetura e Urbanismo de Pernambuco.

Desde então, não parou mais e, depois de dezenas de projetos em Pernambuco, seu trabalho começou a se espalhar pelo Brasil e pelo mundo. A lista de locais famosos projetados por ele é extensa. Mas, só para se ter uma ideia, veja 10 lugares que você, provavelmente, já viu, e que têm o dedo dele:

  • Parque do Ibirapuera – São Paulo;
  • Parque do Flamengo – Rio de Janeiro;
  • Calçadão de Copacabana – Rio de Janeiro;
  • Jardins do Palácio da Alvorada – Brasília;
  • Jardins do Palácio do Itamaraty – Brasília;
  • Parque da Pampulha – Belo Horizonte;
  • Kennett Square – Pennsylvania, EUA;
  • Parque del Este – Caracas, Venezuela;
  • Jardim das Nações – Áustria;
  • Praça Peru – Buenos Aires.

Parque do Ibirapuera

Inaugurado em 1954, o Parque do Ibirapuera, em São Paulo, é um dos mais visitados do Brasil. Seus jardins tiveram anteprojeto de Roberto Burle Marx, apesar de terem sido desenhados pelo paisagista Otávio Augusto Teixeira Mendes, após polêmica na época.

Uma das praças do parque, que fica próxima ao portão 7 do parque, tem o nome de Burle Marx. Hoje, o espaço abriga o Bosque da Leitura e espaço para a prática de exercícios físicos, além da antiga Serraria. A praça integra o Viveiro Manequinho Lopes ao conjunto do parque, valorizando suas edificações e árvores.