Satélite Russo se Desintegra no Espaço e Astronautas da ISS Precisam se Abrigar

Por Joey Roulette

WASHINGTON (Reuters) – Na última quarta-feira, um satélite russo desativado se fragmentou em mais de 100 pedaços de detritos espaciais, forçando os astronautas da Estação Espacial Internacional (ISS) a buscar abrigo por cerca de uma hora. Este incidente contribuiu para o crescente problema do lixo espacial em órbita, conforme informado por agências espaciais dos EUA.

O satélite envolvido no evento, o RESURS-P1, foi declarado inativo pela Rússia em 2022. Ainda não há informações claras sobre o que levou à sua desintegração.

O Comando Espacial dos EUA anunciou que o satélite se despedaçou por volta das 10h (horário das Montanhas, 16h GMT) de quarta-feira, em uma órbita próxima à da ISS. Em resposta, os astronautas americanos a bordo se abrigaram em suas espaçonaves por aproximadamente uma hora, conforme confirmado pelo escritório da NASA responsável pela Estação Espacial.

A agência espacial russa Roscosmos, que operava o RESURS-P1, não respondeu aos pedidos de comentário nem reconheceu o evento em suas redes sociais.

Segundo o Comando Espacial dos EUA, a desintegração do satélite gerou instantaneamente “mais de 100 pedaços de detritos rastreáveis”. Mais tarde, na quinta-feira, a empresa americana de rastreamento espacial LeoLabs detectou pelo menos 180 fragmentos.

Incidentes geradores de detritos em órbita são raros, mas têm se tornado uma preocupação crescente à medida que o espaço orbital fica cada vez mais saturado com satélites essenciais para a vida cotidiana, incluindo serviços de internet de banda larga, comunicações e navegação.

A desintegração do RESURS-P1 ocorreu a uma altitude de cerca de 355 km, na órbita baixa da Terra, uma região densamente povoada por milhares de satélites, incluindo a vasta rede Starlink da SpaceX e a constelação chinesa que hospeda três astronautas.

De acordo com a LeoLabs, devido à baixa órbita dos detritos, espera-se que leve semanas ou até meses para que o perigo passe completamente. A empresa destacou que cerca de 25.000 pedaços de detritos espaciais maiores que 10 cm já estão em órbita, resultantes de explosões ou colisões de satélites.

Esses detritos aumentam o risco de um efeito Kessler – uma cascata de colisões de satélites com detritos que poderia gerar ainda mais lixo perigoso e aumentar exponencialmente o risco de acidentes.

Em 2021, a Rússia enfrentou fortes críticas ao destruir um de seus satélites extintos com um míssil antissatélite, criando milhares de pedaços de detritos orbitais. Esse teste foi realizado antes da invasão da Ucrânia por Moscou em 2022.

No caso do RESURS-P1, não há evidências de que a desintegração foi causada por um míssil. O astrônomo e rastreador espacial de Harvard, Jonathan McDowell, sugeriu que o rompimento provavelmente resultou de um problema interno, como uma explosão devido a restos de combustível a bordo.

O Futuro dos Satélites Antigos

Satélites desativados podem permanecer em órbita por anos antes de reentrarem na atmosfera da Terra, ou podem ser enviados para uma “órbita cemitério” a cerca de 36.000 km da Terra para evitar colisões com satélites ativos.

O RESURS-P1 foi descomissionado pela Roscosmos em 2021 devido a falhas no equipamento. Desde então, o satélite vinha perdendo altitude até sua desintegração recente.

Durante o evento, os seis astronautas americanos a bordo da ISS foram orientados pelo controle da missão da NASA a buscar abrigo em suas respectivas espaçonaves. Eles retornaram ao trabalho normal na estação cerca de uma hora depois.

Este incidente ressalta a urgência de estabelecer um mecanismo internacional de gerenciamento de tráfego espacial para evitar futuras colisões e potencialmente até guerras espaciais.

Fonte: Yahoo Notícias

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