Setor público consolidado pode voltar ao déficit fiscal em 2023, prevê Goldman Sachs

O banco Goldman Sachs divulgou nesta sexta-feira, 31, um relatório aos seus clientes e ao mercado apontando que espera que o setor público consolidado do Brasil volte ao déficit fiscal primário em 2023. Segundo o diretor de pesquisa macroeconômica para América Latina da instituição, Alberto Ramos, o déficit fiscal do setor público foi impulsionado pelo governo central, mas a tendência é de que a postura fiscal suavize neste ano.

O relatório também destaca que as contas orçamentais e a relação dívida/PIB se beneficiaram de uma gestão rigorosa das despesas públicas durante 2021 e 2022, mas que a dinâmica da dívida bruta retomará uma trajetória ascendente a partir de 2023. Ramos ressalta que esse movimento será influenciado pela aceleração da inflação e do crescimento nominal do PIB, além de termos de troca mais firmes.

Os dados das finanças públicas divulgados nesta sexta-feira confirmam essa perspectiva. O setor público consolidado apresentou um déficit de R$ 26,5 bilhões em fevereiro, revertendo o superávit de R$ 3,5 bilhões registrado no mesmo mês do ano anterior. Enquanto o governo central teve um déficit de R$ 39,2 bilhões, os estados e municípios apresentaram um superávit de R$ 11,8 bilhões. As estatais apresentaram um superávit de R$ 0,9 bilhão.

Embora os estados e municípios tenham apresentado um superávit, o resultado do setor público consolidado indica um cenário preocupante para as contas públicas. O déficit fiscal do governo central é o principal responsável pela reversão do superávit do setor público consolidado. A tendência é que, se o governo central não conseguir melhorar o resultado fiscal, a situação das contas públicas do país se deteriore ainda mais.

A perspectiva de retorno ao déficit fiscal em 2023 deve ser encarada com cautela pelas autoridades econômicas do país. A dinâmica da dívida bruta é uma preocupação constante, e o aumento do endividamento público pode comprometer a capacidade do governo de investir em áreas essenciais, como saúde, educação e infraestrutura. A gestão rigorosa das despesas públicas é fundamental para evitar que a situação das contas públicas se agrave ainda mais.

Em resumo, o relatório do Goldman Sachs aponta para a necessidade de uma postura fiscal responsável por parte do governo brasileiro, principalmente em relação ao controle dos gastos públicos. A reversão do superávit do setor público consolidado em fevereiro é um sinal preocupante, que deve ser acompanhado de perto pelas autoridades econômicas do país.

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Redação
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