Um estudo realizado pelo Departamento de Biologia Vegetal e Ecologia da Universidade do País Basco (UPV/EHU) revelou que o trigo-sarraceno demonstra uma resposta superior ao trigo em situações de seca, altas temperaturas e elevados níveis de CO2, condições previstas para o futuro climático.

Publicado na revista Environmental and Experimental Botany, o estudo investigou como trigo e trigo-sarraceno respondem a situações de seca com altas concentrações de CO2 e temperaturas elevadas.

O aumento exponencial do CO2 atmosférico nas últimas décadas intensificará o efeito estufa, prevendo-se um aumento de até 3°C na temperatura global, o que aumentará as escassezes de água em muitas partes do planeta. Essas condições adversas podem prejudicar a produção de cereais convencionais, como o trigo, colocando em risco o acesso alimentar de milhões de pessoas em todo o mundo.

Xabier Simón, pesquisador do UPV/EHU, destaca: “No futuro, o uso de muitos cereais convencionais, como trigo e milho, pode ser reduzido para ser substituído por cereais mais aptos a prosperar sob as novas condições. É essencial descobrir a capacidade dessas espécies de resistir a situações de seca severa, altas temperaturas e elevados níveis de CO2.”

O estudo comparou o trigo e o trigo-sarraceno em condições simuladas de crescimento controlado, incluindo temperaturas, CO2 e seca. “Analisando vários parâmetros fisiológicos das plantas, descobrimos que o trigo-sarraceno apresentou potencial para ser um cereal alternativo ao trigo. Em níveis elevados de CO2 e temperaturas, mesmo na ausência de seca, observou-se uma piora em certos parâmetros do trigo: o crescimento foi restrito e a fotossíntese diminuiu. Por outro lado, o trigo-sarraceno não apresentou esses problemas e demonstrou responder melhor às condições de seca”, explicou Xabier Simón.

Os resultados deste estudo indicam que o trigo-sarraceno pode ser uma alternativa viável para a produção de alimentos em um futuro climático desafiador, oferecendo uma resposta adaptativa mais eficiente às mudanças climáticas em comparação com o trigo convencional.

Fonte: Adaptado de University of the Basque Country (UPV/EHU)

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