Mata Atlântica: Viveiristas aprendem a produzir espécies para conservação

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De agosto a novembro de 2015, a Embrapa esteve envolvida no desenvolvimento e organização de um curso para viveiristas, coletores de sementes e técnicos de secretarias municipais de meio ambiente da Região dos Lagos. O curso foi ministrado em três módulos, com a intenção de orientar e direcionar os hortos municipais e viveiristas a produzirem espécies nativas para cobrir a demanda identificada nos planos municipais de conservação e recuperação da Mata Atlântica e no Código Florestal.
O primeiro módulo, sobre coleta e manejo de sementes florestais, foi ministrado pela pesquisadora da Embrapa Agrobiologia Juliana Freire no município de Silva Jardim/RJ, com a participação de 33 pessoas.

O segundo, na mesma cidade, abordou a produção de mudas florestais, tendo sido ministrado pelo pesquisador Alexander Resende, também da Embrapa Agrobiologia, com a presença de 30 pessoas. “Essas duas primeiras atividades tiveram como público-alvo viveiristas que produzem mudas ao redor da Reserva Biológica de Poço das Antas, para serem usadas no reflorestamento local”, destaca Juliana. Além de abordar a importância da produção de mudas com qualidade genética local, foram repassados diversos conceitos e práticas sobre o uso de equipamentos de segurança, técnicas de escalada, de quebra de dormência e de manejo de sementes, entre outros tópicos. “Essa aproximação também foi muito importante porque sugeriu vários gargalos de pesquisa que a gente pode trabalhar”, explica.

O terceiro e último módulo foi sobre coleta de sementes e mudas de espécies de restinga, mais específico para a região costeira. Ele foi realizado no município de Iguaba Grande e teve como facilitador o professor Luiz Roberto Zamith, da Universidade Federal Fluminense (UFF), com a capacitação de 41 participantes. “Quase ninguém conhece bem a restinga. Até para mim foi uma novidade. Então a presença do Zamith, que é especialista em restinga, foi fundamental. Fizemos uma coleta de espécies em flor e fruto em uma área de reserva de Cabo Frio e dividimos a turma em grupos, que pesquisaram sobre cada espécie coletada, incluindo sua distribuição geográfica, potenciais usos, taxa de germinação, tipo de secagem e armazenamento indicado, entre outros itens”, revela a pesquisadora. Ela esclarece, ainda, que a coleta em restinga não é permitida para comercialização, já que quase todas as áreas são protegidas. “A coleta pode ser feita apenas para fins de pesquisa ou recuperação local”, aponta.

Arquivo pessoal – Curso de coleta e manejo de sementes
Arquivo pessoal – Curso de coleta e manejo de sementes
Ao todo, mais de 15 instituições diferentes foram representadas em cada módulo.

Conservação e recuperação da Mata Atlântica

As atividades foram feitas como um desdobramento dos chamados planos municipais de conservação e recuperação da Mata Atlântica, elaborados pela Secretaria Estadual do Ambiente com o intuito de apontar ações prioritárias e áreas para conservação e recuperação da vegetação nativa e da biodiversidade. A intenção da Secretaria é implementar esses planos nas diferentes regiões do Estado, em parceria com as prefeituras. Além da Região dos Lagos, também já foi beneficiada a região Noroeste Fluminense. Pela Embrapa, os cursos estão previstos no projeto especial Soluções tecnológicas para a adequação da paisagem rural ao Código Florestal.

A finalização do processo de implantação dos planos municipais se dá com o oferecimento dessas capacitações, que, segundo Juliana, são importantes para a atualização dos viveiristas em relação ao Código Florestal, de forma que seja viável a reativação de hortos municipais e viveiros particulares para a produção de mudas de espécies nativas.

Além da Secretaria Estadual do Ambiente, foram parceiros na realização dos módulos o Consórcio Lagos São João, a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e a Universidade Federal Fluminense.
Liliane Bello (MTb 01766/GO)

Embrapa Agrobiologia
[email protected]

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