A recente falência do banco americano Silicon Valley Bank (SVB) tem gerado incertezas no mercado sobre os impactos para o setor bancário brasileiro. Analistas avaliam que a situação não deve afetar diretamente os bancos do país, especialmente os maiores, devido ao alcance de suas operações.

Segundo Daniela Lopes, da Nord Research, essa não é uma crise sistêmica como a de 2008, quando todo o sistema financeiro se interligava. A analista alerta, no entanto, que ainda podem aparecer mais “esqueletos no armário”.

Os grandes bancos brasileiros continuam sendo considerados um “investimento seguro” por Larissa Quaresma, da Empiricus. A especialista destaca a ação do Itaú como uma das indicações, por conta da retomada na distribuição de capital e um conservadorismo nas linhas de crédito e estabilização em seguros e serviços.

Quaresma também tem preferência pelo Itaú, que tem um balanço forte e carteira de crédito conservadora com garantias, principalmente para pessoas físicas. A ação preferencial do Itaú é o segundo ativo mais indicado por analistas para o mês de março, de acordo com levantamento feito pelo InvestNews com 13 carteiras recomendadas por bancos e corretoras.

Outro papel que está na lista da Nord é o do BTG Pactual, que tem uma presença maior no mercado institucional, o que mantém seus resultados acima de bancos mais concentrados no varejo.

Ao analisar como os ativos próprios dos bancos brasileiros estão investidos, é possível notar que o percentual de “mantidos até o vencimento” é pequeno, afirma Larissa. No caso do SVB, esse percentual era de 50%. No Brasil, o Itaú, que tem o maior percentual, tem cerca de 20%, mas são investimentos muito conservadores, como títulos do Tesouro e debêntures de grandes empresas.

Quanto aos efeitos dos juros elevados no Brasil, a Selic em 13,75% ao ano afeta os resultados de tesouraria dos bancos, de acordo com a analista da Empiricus. As taxas de juros têm dois efeitos opostos sobre os bancos. De um lado, há um aumento do spread de crédito, já que os bancos conseguem gerar receitas de juros maiores. Ao mesmo tempo, o avanço nos juros gera um maior nível de inadimplência, cenário que impacta de maneira diferente as instituições. Nos bancos que têm carteira de crédito mais agressiva, o efeito da inadimplência está sendo maior do que o efeito de melhoria no spread, como é o caso do Bradesco e Santander, avalia Quaresma. As receitas com os investimentos, indicador bastante importante dos balanços dos bancos e que compõem a margem com o mercado, também são um ponto importante de análise. Segundo a analista da Empiricus, os bancos que têm se perdido nessa estratégia são Santander e Bradesco, que têm tido prejuízos na ordem de R$ 500 mil.

No entanto, segundo a especialista, essa situação não deve afetar os bancos maiores do país, como o Itaú e o Banco do Brasil, que possuem operações mais diversificadas e uma carteira de crédito mais conservadora.

Além disso, a analista da Nord Research, Daniela Lopes, afirma que a crise do SVB não é uma crise sistêmica, como a crise imobiliária americana de 2008, que afetou todo o sistema financeiro mundial. No entanto, ela alerta que pode haver mais “esqueletos no armário”.

Diante desse cenário, os grandes bancos brasileiros continuam sendo considerados um investimento seguro, segundo Larissa Quaresma, da Empiricus. Ela recomenda ações do Itaú e do BTG Pactual, que possuem operações mais diversificadas e uma carteira de crédito mais conservadora.

Porém, a analista alerta que os investidores devem ficar atentos aos efeitos das taxas de juros no setor bancário brasileiro, uma vez que a elevação dessas taxas pode afetar os resultados de tesouraria dos bancos e gerar um aumento no nível de inadimplência.

Em resumo, o colapso do banco americano Silicon Valley Bank gera incertezas sobre os impactos para o setor bancário brasileiro, mas analistas avaliam que os grandes bancos do país, com operações diversificadas e uma carteira de crédito mais conservadora, não devem ser tão impactados pela situação. No entanto, os investidores devem ficar atentos aos efeitos das taxas de juros no setor bancário brasileiro.

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Redação
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