‘Hidrogênio verde será cada vez mais protagonista no setor energético brasileiro’, diz VP da Falconi

O setor energético brasileiro passa por uma transformação significativa à medida que se adapta às mudanças no cenário global do setor. Ao mesmo tempo, o segmento enfrenta desafios complexos na busca por um fornecimento de energia mais sustentável, eficiente e confiável. É o que garante o vice-presidente da Falconi para Serviços e Tecnologia, Daniel Oliveira, que aponta a meta da descarbonização como um ponto de cada vez mais relevância em todo o mundo. Para ele, o Brasil tem enorme potencial para contribuir nessa iniciativa.

O executivo destaca também a abertura do mercado livre de energia para o grupo A (alta tensão), prevista para o próximo ano, que, segundo Oliveira, vai mudar o posicionamento das empresas em 2024 e fará com que elas deixem a imagem passiva para trás e passem então a participar ativamente do processo de contratação da energia. “O mercado livre brasileiro segue a tendência mundial de dar mais autonomia ao consumidor final”, diz.

O VP Falconi lembra que os segmentos Financeiro e de Telecomunicações passaram por processos similares. “Olhando para o segundo, as empresas evoluíram suas funções e expertises com foco no cliente, aumentaram sua base de resultados com a expansão da cobertura 5G, o fortalecimento da capacidade móvel, investimentos em FTTH e a venda de serviços agregados que chegam a corresponder a mais de 10% do resultado em 2022.

Como consequência natural da abertura do mercado e da expansão da geração distribuída, Oliveira cita o empoderamento do cliente como forte tendência e diz que a maior competitividade no setor, que passará de um perfil atacadista para varejista, dará ao consumidor final maior poder de negociação, escolha e compra.

“A inovação tecnológica e a necessidade de digitalização ganha força com o avanço da inteligência artificial e da análise de dados. Isso fará com que as comercializadoras atuem além da simples compra e venda de energia. Exemplo desta tendência são as mais de 4 milhões de unidades consumidoras brasileiras que possuem medição inteligente, que além de disponibilizarem detalhes do consumo individual e otimizarem o monitoramento, fazem predição remota das falhas, furtos e perdas da rede e permitem que as concessionárias gerem insights e ajam sobre os dados, por exemplo, através das correções de preços e proteção da receita.”

Em termos de novas tecnologias, o executivo aponta o hidrogênio verde cada vez mais protagonista e um dos motores da neutralidade de carbono. “O nosso país está na mira da União Europeia, que visa descarbonizar a sua matriz energética até 2050. No Brasil, os projetos ligados à produção de hidrogênio verde concentram-se principalmente no Nordeste, por conta da oferta de água e energia renovável. Ao total, o potencial de investimentos em projetos relacionados ao tema no Brasil já ultrapassou a marca de R$ 150 bilhões”, completa.

Para Daniel Oliveira, os principais desafios para o setor energético previstos para o próximo ano são:

  • Expansão das operações em meio a baixa de preços, leilões de transmissão mais acirrados e geração distribuída menos atrativa após aprovação do marco legal;
  • Sustentabilidade do modelo de negócio da distribuição frente ao volume excessivo de incentivos que oneram a fatura para o consumidor final;
  • Operacionalização do sistema interligado nacional (mais descentralizado), com maior presença de fontes de geração mais intermitentes, como solar e eólica.

Já as principais tendências para o setor energético previstas pelo VP Falconi para o próximo ano são:

  • Clientes ainda mais empoderados com os novos produtos que são ofertados no mercado de energia após a abertura do mercado, que, por sua vez, terá cada vez mais um perfil varejista, sendo importante alavanca de novas fontes de receita;
  • Manutenção do baixo preço de comercialização de energia elétrica devido às condições hídricas favoráveis e expansão das renováveis. Dessa forma, torna-se essencial a eficiência das organizações nas cadeias de suprimentos e engenharia para viabilizar novos projetos de geração;
  • Maior presença de players não tradicionais no mercado de comercialização de energia após a abertura do mercado livre prevista para 2024, como, por exemplo, empresas do segmento de telecomunicações, financeiro e óleo e gás.
  • Hidrogênio verde ganhando cada vez mais espaço no mercado nacional a partir da aprovação do marco regulatório.

“Hoje, o setor energético nacional vive um momento de grandes mudanças e, consequentemente, de grandes oportunidades também. A transição da matriz energética para fontes sustentáveis, a abertura do mercado livre, as metas de descarbonização e a busca por inovação e novas tecnologias promovem o cenário efervescente e desafiador para o ecossistema do país”, conclui Oliveira.