Pesquisadores Propõem Inclusão de Animais nos Modelos Globais do Ciclo do Carbono para Combate Mais Eficiente às Mudanças Climáticas

Crédito: Unsplash/CC0 Domínio Público

A ciência do clima pode estar subestimando um componente crucial no ciclo global do carbono: os animais. De minhocas a elefantes, a influência animal no armazenamento de carbono nos ecossistemas é significativa, revela um estudo recente publicado no Journal of Geophysical Research: Biogeosciences. Conduzido por Matteo Rizzuto e sua equipe, o trabalho propõe uma nova abordagem para integrar a vida animal nos modelos de ciclo do carbono, que atualmente concentram-se em plantas, micróbios, solo e atmosfera.

Segundo os pesquisadores, a inclusão de animais, tanto herbívoros quanto predadores, nos modelos de ciclo do carbono pode alterar profundamente as previsões de captura e armazenamento de carbono. Ao alimentarem-se de plantas ou de outros animais herbívoros, e ao interagirem fisicamente com o ambiente, como pisar em folhas ou produzir resíduos, os animais aceleram a reciclagem de nutrientes, incluindo o carbono.

Os resultados do estudo indicam que, quando os animais são incorporados aos modelos, observa-se, em média, um aumento duplo no sequestro de carbono nos ecossistemas. “Nossas simulações mostram que a dinâmica do carbono é consideravelmente alterada com a presença de animais, o que sugere um potencial subestimado em nossos esforços atuais de modelagem climática”, explica Rizzuto.

A equipe utilizou um modelo de compartimento de ecossistema, combinando abordagens tradicionais de modelagem de carbono com novas variáveis tróficas que incluem animais. Isso resultou em aumentos notáveis tanto na produtividade primária, que se refere ao crescimento das plantas, quanto no sequestro de carbono. No entanto, as interações entre herbívoros e predadores mostraram-se complexas, influenciando os níveis de sequestro de carbono de maneiras ainda não completamente entendidas.

“Um cenário em que apenas herbívoros são considerados resultou nos maiores níveis de sequestro de carbono. Contudo, a adição de predadores ao modelo reduziu esse sequestro, apesar de ainda ser superior ao de modelos que excluem completamente os animais”, detalha o pesquisador. Esta descoberta aponta para a importância de considerar as cadeias alimentares completas nos modelos climáticos.

A pesquisa também destacou a necessidade de futuros estudos para desvendar os mecanismos exatos através dos quais os animais influenciam o ciclo do carbono e como essas interações podem ser otimizadas para reforçar os esforços de mitigação das mudanças climáticas. A equipe de Rizzuto sugere que a diferenciação entre tipos de herbívoros e predadores, bem como a inclusão de comportamentos animais específicos ao ecossistema, poderiam aprimorar ainda mais a precisão dos modelos.

Este avanço no entendimento pode ser crucial para o desenvolvimento de projetos de sequestro de carbono baseados na natureza. “Integrar animais nos modelos do ciclo do carbono não apenas melhora a precisão científica, mas também sublinha a importância de conservar a biodiversidade como parte das estratégias de combate às mudanças climáticas”, afirma Rizzuto.

À medida que a comunidade científica avança na compreensão das complexas redes de interações no ciclo global do carbono, fica claro que qualquer esforço para enfrentar as mudanças climáticas de forma eficaz deve considerar todos os seus participantes, desde os menores micróbios até os maiores mamíferos. Com a crescente preocupação global sobre as alterações climáticas, o estudo de Rizzuto e colegas reforça a ideia de que uma abordagem holística, que inclui todas as formas de vida, é essencial para desenvolver soluções ambientais sustentáveis e eficazes.

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Redação
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