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Por Bruno Corano*
 

Você já deve ter ouvido em algum lugar que o cálculo da aposentadoria de uma determinada pessoa não serve para outra. Isso acontece porque os fatores a serem colocados na balança e as expectativas de cada indivíduo são diferentes. Pensar na aposentadoria, de certa forma, é idealizar o futuro e ainda não há uma ciência precisa o suficiente para generalizar os sonhos das pessoas. No entanto, é necessário falar sobre “Educação Previdenciária”.


Primeiramente, é preciso reforçar a importância de guardar dinheiro para a aposentadoria. O Brasil teve o décimo pior resultado no relatório Global Pension Report 2023, da Allianz, que avaliou a previdência de 75 países. A baixa cobertura e demanda atrasada em nível de acesso a serviços financeiros contribuem para o péssimo resultado. O relatório anterior a este revelou, por exemplo, que 90% dos brasileiros não guardam dinheiro para se aposentar.

O país contou com a Reforma Previdenciária de 2019, entretanto, quase 70% dos benefícios da Previdência Social pagam um salário mínimo, que atualmente é de R$1.320 e a média da aposentadoria paga em áreas urbanas hoje é de R$1.900. Esta situação não é sustentável a longo prazo. O lado bom do INSS é não liberar o acesso ao dinheiro antes da aposentadoria, evitando que o dinheiro seja comprometido com outros gastos.


A reserva mensal para a aposentadoria é tão vital quanto pagar a conta de energia elétrica. Embora possamos ter a tentação de adiar o planejamento da aposentadoria até os 35 ou 40 anos, contribuindo com valores mais altos por mês, teria sido muito mais sábio se tivéssemos poupado ao longo da vida, começando com quantias menores quando éramos jovens de vinte e poucos anos.


Então, a opção mais viável seriam os fundos de previdência privados? Bem, eu diria que a grande maioria desses fundos não consegue sequer superar o CDI e ainda possuem taxas de administração exorbitantes. O melhor caminho, mesmo que não seja o mais comum, é economizar dinheiro e investir diretamente, e nem estou mencionando investimentos arriscados. Os últimos 30 anos comprovam que aplicar o dinheiro no Tesouro, por exemplo, com as taxas de juros, teria rendido mais do que qualquer fundo previdenciário. E quanto mais cedo começar, melhor, mesmo que seja com quantias pequenas.


Por que você não deve acreditar em fórmulas mágicas?

Ao prospectar o seu futuro, é preciso levar em conta variáveis pessoais que podem mudar completamente a resposta sobre quanto dinheiro se deve economizar para a aposentadoria. Com quantos anos você pretende parar de trabalhar ou será obrigado a parar? Seu histórico familiar indica que ainda pode viver muitos anos? Com quantos anos começou a poupar e criar sua reserva futura? Você receberá pelo INSS? Terá outras fontes de renda? Como deseja viver sua aposentadoria?


Apesar dos gastos com saúde aumentarem na velhice, o custo de vida pode ser menor. Uma pesquisa de 2022, da think tank norte-americana RAND Corporation mostra que as despesas médicas aumentam de 9% a 10% nos orçamentos familiares de pessoas com 65 a 69 anos.³ Após os 80 anos, essa porcentagem salta para 14%. Ao mesmo tempo, os gastos com a formação dos filhos não existirão mais, assim como despesas relacionadas ao trabalho como transporte e alimentação.


Existem dados que podem ajudar no cálculo. Quase todos os cálculos e projeções que tenho visto não levam em consideração o efeito da inflação de forma mais assertiva. Vamos dizer que hoje eu vivo com R$10.000 e é com R$10.000 que eu quero viver daqui 30 anos. Os cálculos precisam apresentar de uma forma muito coerente a estimativa da perda do poder de compra do dinheiro.
 

Dois exercícios básicos ajudam a planejar a aposentadoria:


1. Como fazer a projeção de gastos anuais na aposentadoria?

– Tome como base o que você ganha hoje e como vive agora;

– Que custos podem aumentar? Que despesas você deixará de ter?

– Você pretende viajar muito? Mudará de cidade?

– Qual será a idade para se aposentar?
 

Ter respostas claras para essas perguntas não é algo banal. Educação financeira existe justamente para auxiliar nas tomadas de decisões para um consumo sustentável e prevenção de problemas futuros. De posse dessas informações, você poderá passar, então, ao segundo exercício, que é calcular todos os seus proventos futuros.
 

2. Fontes de renda potenciais:

– De quanto será sua aposentadoria oficial pelo INSS?

– Você pretende trabalhar na aposentadoria?

– Receberá herança ou dinheiro de aluguel?

– Você terá direito a pensões?

– Tem receita da venda de imóveis?
 

Estes dois exercícios ajudarão a calcular a diferença entre o quanto você vai receber e o quanto você deve gastar. Ainda que o futuro seja uma incógnita, com novas tecnologias, mudanças climáticas, guerras, pandemias e toda sorte de acontecimentos inesperados, essa estimativa vai aproximá-lo do seu amanhã para que possa criar uma estratégia vencedora para sua aposentadoria.
 

Bruno Corano é apresentador do Manhattan Connection, CEO e economista-chefe da Corano Capital NYC, escritório de Investimentos com mais de 2 bilhões sob gestão, em hedge-funds, ações e private equity. Com formação em Economia pela Universidade da Pensilvânia e especialização em Business Administration and Management pela Harvard Business School.

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