Dia da Amazônia
Dia da Amazônia / foto: Direcional

O Dia da Amazônia, em 5 de setembro, é o mote de um vídeo feito 100% com imagens originais criadas por inteligência artificial. A campanha lançada pela ONG ClimaInfo é a primeira ação ambiental que usa este tipo de tecnologia no Brasil.

Diana Sampaio, coordenadora de comunicação digital do ClimaInfo, explica que o roteiro do vídeo tem como ponto de partida o papel vital da Amazônia no ciclo hidrológico. O ponto de chegada é a impossibilidade de adiar a proteção que a floresta precisa hoje.

“A concepção do vídeo passa pela discussão do que é o mundo atual: de um lado temos a necessidade urgente de preservação da Amazônia como um importante patrimônio ancestral comum; do outro, o surgimento de tecnologias com um potencial futuro ainda bastante desconhecido”, afirma Sampaio.

“O protagonismo da criança neste vídeo é o elemento-chave para discutir esta atualidade permeada pelo passado e pelo futuro”, continua Sampaio. ”Nós somos a última geração que pode efetivamente salvar a Floresta Amazônica, mas quem narra o vídeo representa a geração que terá que conviver com as piores consequência de um eventual fracasso”

O vídeo do ClimaInfo foi feito com uma combinação de duas ferramentas de inteligência artificial: o Dall-E 2 e o Midjourney. O segundo foi criado pelo laboratório de mesmo nome e gera imagens a partir de perguntas inseridas pelo usuário na ferramenta.

Já o Dall-e, da empresa OpenAI, é um programa de computador dotado de inteligência artificial que cria imagens inéditas a partir de descrições textuais – palavras-chave ou frases inteiras -, e pode usar diferentes estilos de desenho e até fotos. A segunda versão deste programa — Dall-e 2 — foi lançada em julho e está disponível mediante inscrição, mas há uma longa fila de espera para novos usuários.

“Apesar da máquina ter gerado as imagens, eu me sinto parte da criação por ter dado os comandos específicos para a concepção do vídeo. Cabe ao usuário aperfeiçoar este comando e explorar as diferentes possibilidades estéticas”, explica o videomaker Tiago Stamato, da equipe de comunicação do ClimaInfo. “Eu optei por um estilo de arte digital, mas poderia ter criado ao estilo de pinturas do Miró ou do Dali, por exemplo”, continua.

“O potencial desta ferramenta é impressionante e deve facilitar muito as ações de ativismo nas redes sociais”, avalia Stamato, que também vê o recurso como uma ameaça ao modelo de trabalho no setor audiovisual.

“Claro que eu tive que fazer a composição com as imagens geradas pela ferramenta, escolhi a trilha, efeitos sonoros, narração e fiz a montagem desses elementos, mas já consigo imaginar o momento em que a máquina será capaz de fazer isso sozinha”, diz o videomaker. Para ele, a concepção humana nunca será descartada para a criação de um vídeo, mas os recursos necessários podem ser reduzidos com essas novas ferramentas.