Descaso Ancestral: Jardim Maravilha no Abismo do Saneamento Básico Enquanto IPTU Não Falha

Jardim Maravilha, na Zona Oeste do Rio de Janeiro
Jardim Maravilha, na Zona Oeste do Rio de Janeiro

Você já parou para pensar como seria viver em um lugar onde o tempo parece ter congelado, enquanto a falta de saneamento básico flui como uma ferida aberta? Bem-vindo ao Jardim Maravilha, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, onde a espera por obras de saneamento básico já ultrapassou a marca de sete décadas. Isso mesmo, mais de 70 anos! Uma espera que parece eterna, enquanto o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) não hesita em chegar pontualmente todos os anos. O que diabos está acontecendo aqui?

Parece surreal que em pleno século XXI, com avanços tecnológicos, conquistas sociais e foguetes indo para o espaço, ainda haja comunidades relegadas a viver em condições que lembram a Idade das Trevas. O Jardim Maravilha é um microcosmo dessa triste realidade. Enquanto o direito ao saneamento básico está consagrado na Constituição Federal de 1988, esses moradores têm enfrentado a omissão das autoridades como um espectro que os assombra a cada descarga não tratada, a cada água contaminada e a cada montanha de lixo não coletada.

Não é preciso ser um expert para entender que saneamento básico é muito mais do que simplesmente ter água limpa saindo das torneiras. É uma questão de dignidade humana, de respeito pela vida e pelo meio ambiente. E é justamente essa dignidade que parece ter sido esquecida no Jardim Maravilha. Enquanto isso, o IPTU chega religiosamente, como um lembrete cruel de que os moradores não são invisíveis quando se trata de pagar, mas se tornam espectros quando clamam por seus direitos.

A ironia é tão densa quanto a poluição que permeia o ar dessa comunidade. A água, que deveria ser fonte de vida e saúde, se transforma em uma ameaça invisível. As doenças decorrentes da falta de saneamento básico corroem a qualidade de vida dessas pessoas, enquanto a esperança é mantida viva por fios cada vez mais tênues. Não seria o momento de inverter essa lógica absurda? Não seria hora de priorizar as pessoas em vez dos números frios das cobranças de IPTU?

Mas, espera aí, não são as próprias autoridades responsáveis por cuidar do bem-estar da população? Não são elas que têm o dever de garantir condições mínimas de vida digna para todos? Estamos em um país onde a diversidade cultural é tão rica quanto a variedade de problemas, mas o direito ao saneamento básico é uma constante que deveria unir todos os brasileiros. Afinal, somos todos seres humanos que merecem condições básicas de higiene e saúde.

Perguntas retóricas pairam no ar, assim como o cheiro fétido das ruas do Jardim Maravilha. Como é possível que, em um mundo onde a tecnologia se desenvolve a passos largos, uma comunidade inteira ainda viva como se estivesse presa em um passado distante? Não seria mais produtivo e eficiente investir em obras de saneamento básico do que cobrar um IPTU de uma realidade que não condiz com o que é devido?

O Jardim Maravilha é mais do que um lugar no mapa. É um símbolo da desigualdade que assola nossa sociedade. O descaso que assola essa comunidade é um reflexo do descaso que permeia nosso sistema como um todo. Enquanto nos orgulhamos de avanços em várias áreas, não podemos nos dar ao luxo de deixar nossos irmãos e irmãs viverem em condições subumanas.

Em um país que abriga maravilhas naturais, culturais e humanas, é inaceitável que uma comunidade ainda lute por algo tão básico. Não é apenas uma questão de encanamentos e tubulações, é uma questão de cidadania, de respeito, de empatia. Enquanto o IPTU chega como um lembrete amargo, a esperança continua acesa no Jardim Maravilha. Porque, no final das contas, a luta por um ambiente mais saudável e digno é uma batalha que vale a pena travar, não importa quanto tempo leve.

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