Meio Ambiente

Alimentos orgânicos auxiliam desempenho de atleta olímpico

Henrique Avancini, representante do Brasil nas competições de mountain bike das Olimpíadas, afirma que a alimentação orgânica melhorou sua performance

Os atletas olímpicos e de alto nível de competitividade, que adotam dietas nutricionais controladas, também se favorecem da produção de alimentos sustentáveis, fruto do trabalho diário de inúmeros produtores rurais. A alimentação equilibrada e saudável, segundo médicos, nutricionistas e preparadores físicos, vem ajudando esportistas das mais variadas modalidades em seus treinos e competições, com resultados muito positivos.

O tricampeão brasileiro de mountain bike, Henrique Avancini é um exemplo. Nascido e criado em Petrópolis, na Região Serrana, berço da produção orgânica no Brasil, ele tem se beneficiado de uma alimentação mais saudável. Desde que começou a adotar em sua dieta produtos orgânicos produzidos por agricultores familiares da localidade do Brejal, sentiu um aumento significativo em seu desempenho e resultados.

Avancini, que participa de sua primeira competição em uma Olimpíada no próximo dia 21 de agosto, agora já não abre mão de alimentos orgânicos. Assim, ele dispensa o uso de complementos alimentares. É também uma forma de estimular e valorizar a agricultura familiar. “Muitos alimentos da minha dieta nutricional são verduras e legumes que adquiro com os produtores de Petrópolis. Alguns deles fazem a entrega direta em minha casa. Depois que comecei com a alimentação orgânica e mais natural, sempre acompanhada pelo nutricionista de minha equipe, meu corpo ficou mais equilibrado e sente menos os efeitos causados por diferenças de temperaturas, altitude, clima. Participo de várias competições o ano inteiro, em vários países, e se meu corpo não estiver equilibrado, meu rendimento cai significativamente”, relatou o atleta.

Técnicos da Emater-Rio, que promovem a produção de orgânicos por meio do Programa Rio Rural, explicam que os alimentos orgânicos são produzidos com a adoção de técnicas específicas, otimizando recursos naturais e socioeconômicos, respeitando a cultura das comunidades rurais e o meio ambiente, sem utilizar materiais sintéticos ou organismos modificados geneticamente. Dessa forma, o método de produção orgânica fomenta a sustentabilidade econômica e ecológica, além de contribuir para a saúde da população e a manutenção sustentável do planeta.

Para o secretário estadual de Agricultura, Christino Áureo, a busca cada vez maior dos atletas por alimentos saudáveis comprova a importância da agricultura sustentável. “O Rio Rural viabiliza a melhoria da qualidade de vida e de renda no campo, de forma integrada com a sustentabilidade na produção. O consumo desses alimentos por atletas de alto rendimento comprova os benefícios. Essa é uma vitória dos agricultores, que são cada vez mais merecedores de medalhas da sustentabilidade”, comentou o secretário.

Para um dos mais antigos agricultores do Brejal, Levi Gonçalves de Oliveira, saber que um atleta olímpico está consumindo produtos da região é motivo de orgulho. “Muita gente está comprando produtos orgânicos pensando na saúde. Não pensava que os atletas estivessem consumindo orgânicos para melhorar os resultados. Isso é muito bom. Mais uma prova que os alimentos orgânicos são melhores para todo mundo. Eu já ia torcer para nossos atletas brasileiros, agora sabendo desse nosso conterrâneo de Petrópolis nas Olimpíadas, que além de tudo consome nossos produtos, vou torcer muito mais”, disse, animado, o produtor rural.

Água Limpa para o Rio Olímpico

O consumo de água é outro fator importante apontado por médicos e nutricionistas no desempenho dos atletas. Mas é preciso analisar caso a caso. Não basta beber três ou quatro litros de água por dia, como muitos acreditam. Em cada modalidade esportiva, o consumo de água e a perda de líquidos nos treinos e competições devem ser monitorados.

Condições de clima, temperatura, vento e umidade, por exemplo, provocam variações diferenciadas na perda de líquidos nos atletas. Estudos sobre nutrição de atletas apontam que a perda de 1% do total de água no corpo já é suficiente para comprometer o desempenho. Quando esse valor atinge 4%, há comprometimento de funções do organismo.

Assim como os atletas, toda a população, seja de áreas urbanas ou rurais, precisa cuidar da ingestão diária de líquidos – o consumo médio indicado para pessoas adultas deve ser de 35 ml por quilo de peso ao dia. No caso de atletas de alta performance, a proporção é de 1 ou 1,5 litro por caloria, de acordo com sua necessidade diária.

Para garantir água de qualidade no Rio de Janeiro para atletas, ou não, o Programa Rio Rural lançou, em 2010, a campanha Água Limpa para o Rio Olímpico. Por meio de projetos de conservação dos recursos hídricos, preservação ambiental e boas práticas agrícolas, a campanha teve o objetivo de melhorar da qualidade de vida de quem vive no campo e nas cidades.

A meta era proteger 2.016 nascentes até a Olimpíada, promovendo uma ação integrada a fim de conscientizar o agricultor sobre o papel fundamental que ele desempenha também como produtor de água. A campanha foi um sucesso. Com o empenho de agricultores familiares, extensionistas rurais, prefeituras, empresas privadas, Comitês de Bacias Hidrográficas e outros parceiros nacionais e internacionais, neste início dos Jogos Olímpicos, a secretaria de Agricultura do estado contabiliza mais de 3.120 mil nascentes preservadas, um legado importante, já que representa um volume de água de mais de quatro mil piscinas olímpicas cheias, por ano.

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Vagner Liberato

Meu nome é Vagner Liberato, sou carioca e vivo no Rio de Janeiro. Formei-me em Administração de Empresas e sou um apaixonado por conteúdo sustentável. Desde 2015 faço o Jornal Sustentabilidade com maior prazer! Para falar comigo, entre em contato pelo email: contato@meioambienterio.com

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