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Vamos falar sobre professores?

Dia 15 de outubro, comemoramos o dia dedicado aos professores. É uma data considerada importante por boa parte da sociedade, ao menos é o que afirmamos. Mas em um projeto de nação inacabado como o nosso, será que o profissional que cuida e ensina a tantos possui algo a comemorar realmente?

A prática docente é um contínuo exercício de redescoberta. Posso falar, por experiência própria que cada escola, cada turma, cada aluno é um universo. Em suas nuances e desejos, o professor é um maestro que tenta ensaiar uma orquestra que muitas vezes não sabe e não quer tocar em uníssono, o que inviabiliza qualquer pauta, por mais maravilhosa, bela e sensível que seja a canção.

Aqui temos uma questão importante, atualmente tudo o que se refere a educação e escola tem sido polarizado, opiniões tem sido espalhadas sem o menor critério, especialistas de última hora impõem suas verdades e tentam calar qualquer pessoa que delas discordem. O pior desse processo é que na verdade, a maior parte do que se discute são ”think tanks” (organizações ou instituições que atuam no campo dos grupos de interesse, produzindo e difundindo conhecimento sobre assuntos estratégicos, com vistas a influenciar transformações sociais, políticas, econômicas ou científicas), ou seja, não correspondem a uma verdade de fato. Assim, muito do conhecimento acerca da escola, não é conhecimento, é opinião.

Pode parecer uma fala programada, mas a escola é o lugar do questionamento. Essa característica “rebelde” é o que a torna um lugar único, cheio de desafios e surpresas. O que está acontecendo então, com a “mágica” desse lugar? A resposta está fora da escola, a educação está em disputa.  Existe hoje uma força organizada, cujo objetivo é destruir um legado de conhecimento e razão que levamos séculos, literalmente, para construir. Hoje, se ataca o humanismo nas escolas. Ao longo do tempo, diversas alternativas de construção de conhecimento foram expostas, algumas partiam dos docentes (professores), outras dos discentes (alunos), algumas pensavam a escola como uma grande enciclopédia cheia de saberes que deveriam passar por “download” para os cérebros, outras pensavam a escola como um canteiro de obras, onde cada um contribui com seu tijolo. A bem da verdade, nossa multiplicidade natural fará com que uns se adaptem bem a um tipo de escola e outros a outro tipo de escola.

A questão é que a alma da escola e do fazer docente não pode ser perdida. Precisamos daquele professor ou professora sério ou séria, cujas provas fazem os alunos estudarem com quase um mês de antecedência, mas também precisamos daquele professor ou professora bacana, cujas aulas passam sem que possamos perceber o tempo, nos deixando com gosto de quero mais. Precisamos daquele professor ou professora “nerd”, capaz de inventar as mais loucas experiências e precisamos daquele professor ou professora que tira a turma da sala e dá aula embaixo de uma árvore no pátio. A questão é que tais coisas requerem naturalidade e liberdade, só que essas palavras parecem ameaças aos ouvidos de quem confunde autoridade com autoritarismo e respeito com medo. E não é só de professores que eu estou falando quando afirmo isso.

Nós nos acostumamos a confundir tais coisas. Não me entenda ou leve a mal, eu também fui educado em escolas nas quais o conceito de disciplina se aproximava de algo militar. Isso não serve para a escola, pois criamos cidadãos, não soldados. Agora, pode ser que alguns pensem que é melhor um soldado que um bandido. Concordo. A questão é que não precisa ser uma escolha entre um e outro. Assim como na vida, nem tudo é uma questão de bem e mal, certo ou errado. A escola foi transformada em um ringue por esse pensamento, e o professor foi transmutado em um oponente malvado, que deve ser derrotado a qualquer custo.

É importante ressaltar que essa dicotomia serve a alguns interesses e, nenhum desses interesses é a favor da escola ou dos professores. Há um projeto de sucateamento do ensino em progresso, pois sem uma educação de qualidade é mais fácil manter o povo como gado.  E qual a melhor forma de destruir a educação que acabar com os professores? Essa destruição é sistemática, não podemos esquecer que os professores são a classe de trabalhadores que conta com ensino superior que menos recebe, além de tudo, são constantemente menosprezados em suas funções por políticos, pais e, pasmem, colegas.

Que hoje o dia dos professores seja um marco de mudança para todos aqueles que lerem essa coluna. Colabore com os professores, ajude a escola a ser mais, estude com seus filhos, que o dia dos professores seja uma data de luta sempre, mas sobretudo, um dia de felicidade.

Escrevo a coluna de hoje e presto minha solidariedade a todos os docentes da UERJ, que passam pela humilhação de no dia a eles dedicado, não terem seus salários.

Dedico também a todos os meus professores.

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Iuri Rocha Iuri

Olá, sou Iuri Rocha, professor das redes estadual e particular. Sou formado em Licenciatura em História pela UFRRJ e ligado em tudo o que pode tornar o nosso mundo melhor. Para falar comigo bastar enviar um e-mail para [email protected]

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