Seabed 2030 – um esforço global para mapear os oceanos

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Há quem diga que nós conhecemos mais da lua do que o nosso próprio oceano. Apenas 15% dele é mapeado e determinadas áreas raramente são trafegadas, uma pequena porção serve como rotas comerciais que estão longe de fazer jus à sua real imensidão.

Mas o terreno marítimo nos fornece uma imensa variedade de suporte, seja ele natural ou não. Seu relevo pode determinar correntes marinhas e mudanças climáticas, também é capaz de amenizar furacões e tsunamis, além dos quilômetros de cabos submersos que os cruzam para fornecer internet a diversas cidades.

Apesar disso a dificuldade em se lidar com esse terreno afasta o interesse em investir em um mapeamento adequado. Felizmente a tecnologia está ao nosso favor para ajudar nessa tarefa tão trabalhosa. Os satélites que costumam mapear cidades não tem a capacidade de penetrar na água com facilidade, mas com o auxílio de radares e robôs este serviço se mostra finalmente palpável.

Criado em 2017 por um grupo mundial de pesquisadores especialistas em oceanografia, o projeto chamado de Gráfico Batimétrico Geral dos Oceano (ou Gebco, em inglês) anunciou o inicio de uma parceria com a Nippon Foundation para colocar em prática o plano Seabed 2030. A idéia é colocar radares em embarcações de todo o mundo para conseguir mapear o oceano através dos dados fornecidos até a data limite, 2030.

A maioria dos barcos modernos já possui sistemas de radares para evitar colisões com o terreno marinho, o ideal seria amplificar por meio de uma nova tecnologia com multifeixes.

“Os múltiplos feixes ampliam a área do mapa e nos oferecem uma cobertura maior”, explica Vicki Ferrini, presidente do subcomitê do Gebco para mapeamento submarino.

Por outro lado existe o problema de que partes do oceano raramente são visitadas, os trechos de embarcações costumam ser os mesmo funcionando como grandes rodovias de intenso tráfego.

“Um levantamento batimétrico feito com múltiplos feixes modernos vai muito além de apenas dirigir um navio ao redor do oceano”, diz o contra-almirante Shepard Smith, diretor do Escritório de Pesquisa Costeira da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, em inglês), que contribui para o Seabed 2030. “Os dados do sonar são valiosos, mas particularmente em áreas onde não temos nada. No Pacífico ou no Ártico, por exemplo, linhas de rastreamento individuais podem ser bastante úteis para entender melhor as áreas mal mapeadas”, acrescenta.

O projeto quer então incentivar o uso desses sonares em barcos de pesca e navios de carga, por exemplo. Os dados seriam coletados em um grande esforço coletivo para criar um mapa submarino mais eficiente do que temos hoje em dia.

Mas outro problema se encontra nos grandes abismos aquáticos impossíveis de serem atingidos por barcos por se manterem na superfície da água. Um grande exemplo da importância disso é o recente acidente do avião da Malaysian Airlines. Com destino a Pequim a aeronave caiu em uma área remota do Oceano Índico, extremamente profunda.

A região era tão mal mapeada que as equipes de resgate tiveram que fazer um levantamento básico da área de busca antes de elaborar um mapa mais preciso com resolução suficiente para detectar os destroços.

Por isso as pesquisas em robótica marinha se mostram fundamentais para cumprir esse objetivo. Submarinos não tripulados podem descer até regiões que nos são completamente desconhecidas, reconhecendo o terreno para auxiliar na criação do mapa.

Talvez você se pergunte qual a importância de um projeto desta magnitude. Mas o fato é que as nossas reservas de materiais em terra estão ficando cada vez mais escassos, só que o território aquático permanece em grande parte intocado. Metais preciosos, corais farmacêuticos e até petróleo podem ser retirados dessas regiões.

O consumo responsável dessas fontes cabe somente a nós, e para que não se esgotem tão rapidamente será necessário um aprendizado global de como utilizar nossos recursos naturais com muito mais controle e cautela.

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