Entre polêmicas e novidades, aliança entre Canadá, Estados Unidos e México é eleita sede da Copa do Mundo FIFA 2026

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A Copa do Mundo FIFA de 2018 nem começou e os olhos do mundo já se voltaram para oito anos no futuro. Isso tudo porque, nessa última quarta-feira, dia 13, foi realizada a votação para a futura sede do Mundial em 2026 – ou, deveríamos dizer, sedes.

Tudo aconteceu no 68º Congresso da FIFA. Sediado em Moscou, o evento foi responsável por reunir os delegados das federações que puderam votar em uma das duas candidaturas a sede oficial do Mundial.

De um lado, Marrocos, em mais uma tentativa a sediar o evento. Do outro, uma candidatura tripla – México, Canada e Estados unidos se unirão para buscar os votos das federações. E, no final, conseguiram. Dos 199 votos computados, 134 foram para a United 2026 (nome adotado pela aliança entre os países norte-americanos). Os 65 votos restantes foram o Marrocos, que perdeu sua candidatura pela quinta vez, já tendo disputado em 1994, 1998, 2006 e 2010.

Decisão justificada?

Quando olhamos para os números, a decisão dos delegados parece se justificar. Estima-se um ganho de 14 bilhões de dólares para a FIFA com o Mundial 2026. Em termos comparativos, as últimas Copas tiveram metade desse lucro, variando entre 5 e 6 bilhões de dólares no Brasil e na Rússia.

Além dos grandes lucros, os países-sede pouco têm que se preocupar com a estrutura dos estádios ou dos meios de transporte. Todos os estádios participantes já estão construídos. Do total de 23 arenas, apenas 9 sofrerão por reformas. Ao final, 16 dessas serão escolhidas como sedes oficiais para os jogos do Mundial.

É importante destacar que o Mundial de 1994, sediado nos Estados Unidos, teve recorde de audiência. E espera-se que o feito seja repetido em 2026. É prevista uma média de 69 mil espectadores para cada estádio. Em comparação, o Brasil só tinha duas arenas com capacidade para esse público todo – o Maracanã e o Mané Garrincha.

Votação não passou longe das polêmicas

Depois das polêmicas envolvendo as vitórias da Rússia e de Catar para países-sede, as eleições contabilizaram os votos de todos os delegados presentes – não apenas dos 22 membros que conformam o Comitê Executivo. Contudo, mesmo a votação sendo mais transparente, a eleição do United 2026 não se livrou de questões embaraçosas.

A primeira delas diz respeito ao voto do delegado da CBF. Ao contrário do prometido anteriormente e ao pedido da Confederação sul-americana de futebol (Conmebol), a CBF optou por não votar na United 2026, lançando seu voto à candidatura de Marrocos. Os nove países restantes da Conmebol votaram na aliança entre Canadá, Estados Unidos e México. Coronel Nunes, representante da CBF no Congresso, justificou o seu voto em Marrocos afirmando que escolheu o país por ele não ter sediado ainda um Mundial FIFA.

Contudo, o clima de tensão não terminou aí. O clima político atual entre os futuros países-sede também deixou muitos confusos com o resultado. Isso se deu pelas últimas ações políticas do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Além de sua plataforma política estar baseada na construção de um muro separando o seu país do México, o presidente tem buscado a renegociação do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (em inglês, reconhecido pela sigla NAFTA). Considerado o maior acordo comercial do planeta, sua renegociação tem trazido muitos problemas e tensões políticas ente os três países.

A disparidade política entre os países-sede tem se demonstrado em outros pontos da candidatura também. Primeiramente, há a desigualdade na distribuição entre as cidades-sede: Os Estados Unidos, com 25 cidades, contam com sêxtuplo do Canadá (4) e com sétuplo do México (3). Além disso, Canadá e México sediaram apenas 10 partidas cada um contra 60 jogos nos Estados Unidos.

Se o clima político estará melhor em 2026, não temos como saber. Entretanto, podemos esperar que algumas dessas desigualdades sejam disputadas no campo, já que as seleções americanas, mexicana e canadense se qualificam automaticamente.

Conflitos a parte, será um Mundial FIFA de muitos primeiros

Mesmo envolvida em polêmicas iniciais, há muito que se esperar do Mundial de 2026. E não é por nada: vários momentos históricos serão realizados pela primeira vez nos quase cem anos do Mundial.

Será a primeira vez que a Copa do Mundo FIFA será sediada por três países em conjunto. O feito só foi produzido parcialmente quando Japão e Coréia do Sul sediaram conjuntamente o Mundial em 2002.

Também será a primeira vez que um mesmo país sedia o Mundial pela terceira vez. O fato é uma conquista histórica para o México, que já foi país-sede da Copa em 1970 e 1986.

Por fim, será a primeira vez que 48 países irão competir no campo pela taça. São 16 seleções a mais que na Rússia.

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