Meio Ambiente

Pesquisadores brasileiros atestam que tartaruga viajou mais de 5.193 km

Animal foi encontrado na ilha de Bermuda, no Caribe. Outras duas da mesma espécie tinham sido recapturadas na África

Pesquisadores do Projeto Tamar identificaram que uma tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata) resgatada com marcas do Brasil viajou 5.193 quilômetros durante sua rota de imigração. Essa é a maior distância já registrada dessa espécie. Ela foi encontrada na ilha de Bermuda, no Caribe, e a marcação foi feita pelo Bermuda Aquarium Museum and Zoo após ter ingerido um anzol de pesca.

O rastreamento da numeração indicou que a tartaruga foi marcada no Atol das Rocas em janeiro de 2006, medindo 40 cm de casco na época. Ainda foi recapturada no Atol mais duas vezes em 2008, e na última vez já media 56 cm de casco. Três outras tartarugas-de-pente marcadas no País, duas em Noronha e uma no Atol das Rocas, já foram recapturadas na África (Guiné Equatorial, Gabão e Senegal), e a maior distância percorrida por elas até então era de 4.670 quilômetros.

Após o tratamento, totalmente livre do anzol e recuperada, a tartaruga foi liberada em julho de 2015, e foi remarcada com grampos marcadores dos EUA. Na ocasião, a tartaruga mediu 68 cm de comprimento de casco, o que indica que ainda é um animal imaturo. As menores fêmeas desovando naquela região (a área de desova mais próxima de Bermuda para esta espécie é no Panamá) medem no mínimo 74 cm de comprimento de casco. No Brasil, os animais são maiores, sendo as menores fêmeas vistas desovando a partir dos 80 cm.

Até a década de 80, diferentemente das outras espécies de tartarugas marinhas, acreditava-se que as tartarugas-de-pente eram não migratórias. Diversos estudos têm sido desenvolvidos no mundo, incluindo novos programas de marcação e métodos sofisticados de monitoramento e conhecimento, como genética e telemetria de satélite. Esta combinação de ferramentas tem levado ao reconhecimento de que as tartarugas-de-pente podem migrar longas distâncias, explica a coordenadora de conservação e pesquisa do Projeto Tamar, Neca Marcovaldi.

Para animais que se dispersam de uma forma tão vasta, o uso de métodos que permitem sua detecção em áreas tão extensas é essencial. Os marcadores de metal são ideais, portanto, pois se destacam e qualquer pessoa pode reconhecer um animal marcado e avisar aos pesquisadores. Mesmo com o emprego de outros métodos mais sofisticados, como chips subcutâneos, o uso dos marcadores de metal é ainda muito indicado, pois permite a detecção do animal sem necessitar conhecimentos específicos.

Fonte:

Projeto Tamar.

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Vagner Liberato

Meu nome é Vagner Liberato, sou carioca e vivo no Rio de Janeiro. Formei-me em Administração de Empresas e sou um apaixonado por conteúdo sustentável. Desde 2015 faço o Jornal Sustentabilidade com maior prazer! Para falar comigo, entre em contato pelo email: contato@meioambienterio.com

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