Meio Ambiente

Pesquisas em melhoramento genético e sistema de produção do algodoeiro no Cerrado

O Dia de Campo Interno sobre pesquisa com a cultura do algodão reuniu no dia 19, na Fazenda Capivara, sede da Embrapa Arroz e Feijão, analistas, pesquisadores, bolsistas e estagiários que puderam conhecer os experimentos conduzidos pela equipe do Núcleo Regional da Embrapa Algodão.

O dia de campo foi dividido em dois temas: melhoramento genético do algodoeiro e sistema de produção. Estes dois temas são de fundamental importância para a cotonicultura na região do Cerrado.

Nas duas primeiras estações do dia de campo, o melhorista Camilo Morello apresentou o programa de melhoramento genético do algodão, onde são desenvolvidas novas linhagens convencionais que, depois de selecionadas as linhagens elite, serão utilizadas no programa de introgressão de eventos transgênicos para resistência a insetos e a tolerância a herbicidas. As três principais vertentes do programa de melhoramento são: gerar linhagens com produtividade superior, resistentes às principais doenças de ocorrência no bioma Cerrado e com melhor qualidade de fibra.

Na parte de transgenia, Nelson Suassuna, explica que eventos transgênicos comerciais, como por exemplo, o evento RR Flex (Roundup Ready Flex) confere tolerância ao herbicida glifosato e o evento Bollgard II,confere resistência a lagartas, são incorporados às linhagens elite convencionais via retrocruzamentos. Este procedimento é realizado em ambiente controlado e os transgenes são acompanhados por técnicas moleculares a cada geração. Após três retrocruzamentos são geradas as populações que vão para o campo, de onde serão selecionadas plantas geradoras de futuras linhagens transgênicas.

Estas ações fazem parte do programa de melhoramento genético do algodoeiro da Embrapa que tem se empenhado em gerar materiais que contribuam para a superação de impactos causados pelo uso excessivo de pesticidas para o controle de pragas e doenças, bem como, para a conquista de novos patamares na produção brasileira, nos sistemas produtivos do Cerrado e do Semiárido do Brasil.

Nas duas estações seguintes, o fitotecnista Alexandre Cunha de Barcellos Ferreira, o entomologista José Miranda e o fitopatologista Nelson Suassuna, apresentaram uma síntese do projeto em sistema de produção do algodão no Cerrado. O projeto é desenvolvido em conjunto com oito unidades da Embrapa (Arroz e Feijão, Soja, Milho e Sorgo, Agropecuária Oeste, Agrossilvipastoril, Solos, Cerrados e Algodão).

No Cerrado existe a predominância no sistema de produção de soja e milho, mas o algodão é uma alternativa no sistema de rotação de culturas e sistema plantio direto (SPD).

O SPD é responsável por várias alterações de ordem física, química e biológica que culminam na proteção do solo, no sequestro do carbono e na redução dos gases de efeito estufa, mas que, no entanto, alguns fatores limitantes surgiram com a evolução do SPD, principalmente quando o algodoeiro foi inserido no sistema de rotação de culturas.

Assim, os pesquisadores da Embrapa enfatizaram algumas das linhas de pesquisa que estão sendo desenvolvidas no Cerrado de Goiás, Mato Grosso e Bahia que são os principais estados produtores no Brasil.

Por fim, foram destacados os trabalhos realizados na Embrapa Arroz e Feijão que objetivam aprimorar o SPD com o algodão, integrando esquemas de rotação com soja, milho, arroz, feijão, sorgo, entre outras culturas, com ações nas áreas de manejo e fertilidade do solo, nutrição das plantas, destruição dos restos culturais do algodoeiro, manejo de pragas, doenças e nematoides comuns às culturas ou ao sistema produtivo.

Brasil entre os maiores produtores de algodão

O algodão é um produto de extrema importância socioeconômica para o Brasil. Além de ser a mais importante fonte natural de fibras, pois garante ao País lugar privilegiado no cenário internacional como um dos cinco maiores produtores mundiais, ao lado de China, Índia, Estados Unidos e Paquistão.

Até a década de 1980, o cultivo de algodão no Brasil era concentrado, principalmente, nas regiões Nordeste e centro-sul. A introdução do bicudo-do-algodoeiro, praga de maior impacto dessa cultura, aliada a outros fatores socioeconômicos e ambientais, devastou as lavouras algodoeiras no período, fazendo com que o Brasil passasse de exportador a importador de algodão. A partir da década de 1990, a cultura migrou para a região do Cerrado e hoje ocupa uma área superior a um milhão de hectares, concentrada principalmente nos estados de Mato Grosso, Bahia e Goiás.

Atualmente, 59% da produção são oriundas do Centro-Oeste e 38% da região Nordeste, sendo que, aproximadamente 98% desta última ocorrem na ecorregião do Cerrado. O produto principal do algodoeiro é a fibra, que tem 94% de celulose em sua composição o que representa 30 a 45% da produção total e corresponde à fibra natural mais consumida no mundo, abastecendo 50% do mercado mundial de fibras têxteis.

Além disso, podemos dizer que o algodoeiro é uma planta de aproveitamento integral (fibra, semente planta), sendo usada ainda como matéria prima na indústria têxtil, alimentícia, de ração animal, de cosméticos, farmacêutica, de celulose e o óleo representa uma importante alternativa para a produção de energia baseada no biodiesel.

Hélio Magalhães (4911 MTb/MG)
Embrapa Arroz e Feijão

Telefone: (62)3533-2108

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Vagner Liberato

Meu nome é Vagner Liberato, sou carioca e vivo no Rio de Janeiro.
Formei-me em Administração de Empresas e sou um apaixonado por conteúdo sustentável.
Desde 2015 faço o Jornal Sustentabilidade com maior prazer!

Para falar comigo, entre em contato pelo email:
contato@meioambienterio.com

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